Acho que um ano depois, já me sinto distanciada o suficiente pra escrever sobre a minha segunda semana de trabalho. Não tão distanciada quanto nosso amigo Fiuk, que acaba de lançar seu livro de memórias (se eu soubesse aquele efeito de escrever uma palavra e riscar em cima tipo a minha irmã, a palavra "póstumas" estaria aqui) aos 15 anos, mas ainda assim...
Eis que eu me encontro na Capital do Planalto Médio, Passo Fundo, maior cidade do norte do Rio Grande do Sul, com o meu mais novo chefe e meu querido par, numa reunião com donos de caminhão.
Sim, senhores, 5 anos de Direito pra isso.
Feita a reunião, nos convidaram para um típico churrasco na cidade vizinha (80 km de distancia na pista simples), Erechim.
Cervejinha vai, potencia do motor de caminhao vem, aumento de frete bláblá e eis que eu escuto o seguinte diálogo:
Chefe - É que nós estamos no hotel em Passo Fundo né...
Proprietário 1 - A gente pode levar ela de volta pra la e depois voltamos aqui.
Considerando que a unica "ela" ali era eu, deduz-se que estavam sim, falando de mim
Chefe - Mas será? 160 km, vai ficar tarde...
Proprietário 2 - Ah, mas vcs nao podem ir embora daqui sem conhecer!
Chefe - Ah, mas ela é super parceira, acho que podemos levá-la tb...
Proprietário 1 - oO expressão de choque
Proprietário 2 - oO expressão de espanto
Proprietário 3 - oO expressão de vc-só-pode-estar-me-zuando-brother
Sim, caros amigos, 2 semanas de trabalho e eu estava a caminho de uma casa de tolerância gaucha.
E qual não é a minha surpresa ao me deparar com 20 moças semivestidas, parecendo daquelas que a gente ve nas capas das revistas. O que não é de se espantar, já que no RS, Gisele Bundchen dirigia um trator e as mocinhas de dentro das cabines dos pedágios parecem top models.
Belê, em puteiro mulher nao paga nada pra entrar mesmo e Proprietário 1 quis fazer o bonito com os brothers e lhes tomou as respectivas comandas na entrada, informando que a festa era por conta dele (o que não inclui, and I quote "sobremesa") -sim, amigas e feministas de plantão, desejei uma bigorna na minha cabeça ao ouvir a expressão, mas não podemos ignorar que eu estava no meretrício.
Galera chocada com a beleza das moçoilas, dançando daquele jeito de menino hétero na balada, meiquencostado no canto, levantando um pé de cada vez e com copinho de bebida na mão pra disfarçar, e Proprietário 1 recitando Odair José em "eu vou tirar você deste lugar/eu vou levar você pra ficar comigo/e não me interessa o que os outros vão pensar" pra uma senhorita de verde e é aí que começa a bizarrice.
A moça era a do show daquela noite. De repente some e reparece num semi palco com um poste no meio, vestida de marinheira/enfermeira/bombeira/nao-tenho-muita-certeza-devido-ao-pouco-pano e começa a se rebolar toda, pendurar no postinho de formas que, sinceramente, nunca achei possíveis e puxa nosso amigo Proprietário 1 pro palquinho também.
Ele até que se faz de rogado no começo, mas depois arrisca umas reboladelas para o delírio da moçada.
Ela arranca-lhe a camiseta, puxa-lhe as calças e ele fica ali, deitadinho no chão assim mesmo, de zorbinha branca e meias pretas (sim, pretas) se achando o Rei da Bala Chita.
Sacode aqui, rebola ali e dá-lhe um cuecão.
Não não, você leu corretamente, DEU-LHE UM CUECÃO. Do Aurélio "passar suas calças por cima da sua propria cabeça com você ainda dentro delas".
Sim leitor, pegou-lhe pelo cu das calças e as transpassou, nada gentilmente, pelas suas orelhas.
E O PIOR, o moço só tinha uma minhoquinha pra exibir.
E quando a bizarrice parecia ter um fim, eis que ele some. Não está no banheiro, não está nos cantinhos, o carro não está nem mais lá e ninguém viu. Ninguém viu, ninguém conhece, universo paralelo e fim.
Aí você pensa, "natural, se sentiu humilhado perto dos coleguinhas, saiu à francesa, nada melhor que um dia após o outro pra curar a ressaca moral e pá", mas vamos recapitular o começo da história? Quando ele, querendo fazer o bonito, surrupiou as comandas da galera?
E se na balada você não sai sem comanda, quem dirá no puteiro!!
Caros, nem DJÔ, com meu charme e persuasão de bacharel em Direito (tá, prestei uma vez não passei, desisti, get over it), consegui convencer os 2 amigáveis senhores da portaria a nos deixar livres.
300 reais mais pobre e, com o perdão do trocadilho, PUTA, fomos embora.
Fim.
Há, mas se fosse o fim aí ainda, BELEZA.
São 3 da manhã, estou no carro com o chefe e o par, curtidos na vódega e no marlboro, pq o RS é o melhor estado do Brasil e ainda se pode fumar em estabelecimento fechado e, ao passar no posto homologado de Erechim, na saída para Passo Fundo, um carro conhecido.
Siiiiim, lá estava Minhoquinha, com o vidro do motorista semi aberto, um pouco de vômito escorrido pra fora e muito vômito escorrido pra dentro.
"Não estou acostumado a beber vodca", tentou justificar o moço enquanto eu pensava "só falta ele dizer que vodca diminui o pirulito também hihihi"
E meu querido par, coração mole que só, quis ficar pra ajudar o moço.
O chefe, de coração não tão mole, só conseguia pensar na cama do hotel que esperava a 1 hora dali.
Argumentaram como dois homens maduros, optaram pela melhor saída que seria ajudar Minhoquinha a achar sua propria casa numa cidade que nós mesmos não conhecíamos e voltaram para o hotel, como pessoas bacanas que são.
ARRAN.
Argumentaram como dois meninos da pré escola, não encontraram saída alguma, empurraram-se para fora do carro, um tirou o sapato e o outro a cinta e começaram a se bater. Não estou brincando, gente linda. Foi isso aí. E durou eu não sei quanto tempo, mas quando um voltou com as costas em carne viva depois de uma cintada de fivela pra dormir dentro do carro, Minhoquinha nem ali estava mais.
E aí fomos embora dormir.
ARRAN.
Enquanto um voltou pro carro, o outro disse que ia embora a pé. Pra Passo Fundo. Na Rodovia. Mas não. Foi se esconder e CHORAR like a little girl no meio das carretas estacionadas no posto de gasolina.
1 hora depois, muita conversinha e lagriminhas depois, ele se lembrou do par de balls que carrega no meio das pernas e aceitou ir embora.
Não posso dizer que o início não tenha sido uma profecia do que o ano de 2010 viria a ser.
Por hoje é só, pessoal.
- Paschoalli
2 comentários:
mano... M-O-R-R-I.
AHUAHUAHUAHAUA
ai que saudade da minha paschoali.
Verificação de palavas sacana?
"manonat"
logo aqui em baixo
Eu queria morar no RS só pra poder fumar em lugares fechados novamente. Mas não queria morar na casa de tolerância, veja bem. Nem com o Minhoquinha. hauihaiuah
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