sábado, 4 de setembro de 2010

Escapismo, a arte de enganar a morte

Julia não sabia quanto tempo aguentaria, mas parecia estar presa. Já não respirava bem, o corpo queimava, os olhos lacrimejavam.
O medo começava a crescer como um monstro, que aumentava cada vez mais de tamanho e se preparava para devorá-la. Se devorasse seria o fim, o triste de fim de Julia.
O raciocínio ficava cada vez mais lento, ela sabia que restava pouco tempo. O que fazer?
Fugir, correr!
Não existiam cordas e correntes, bastava erguer a cabeça e seguir, um pé após o outro. Mas aquele balde de água fria em sua cabeça não deixava, a estava prendendo.
O que fazer, meu Deus, o que fazer?
_ NÃO... obrigada!
Com o quase grito o vendedor de bíblias deu um passo para trás, assustado. Ela estava livre, conseguia sentir as pernas de novo, respirava com mais facilidade e pode sair andando.
Enquanto caminhava, conseguiu formular um pensamento que dominara sua mentenos últimos e torturantes cinco minutos:

"Porque, diabos, esses vendedores só aparecem na minha frente em belos dias de sol, quando toca minha música favorita no rádio e estou indo encontrar ele?"

Por Nadia

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