Noninha nasceu no Brasil, em 1911, apesar de falar umas palavras meio italianas no meio das frases e proferir ditados que eu espero que façam sentindo na Itália, ou então eu nunca soube em 25 anos, que cu de gato não é relógio.
Noninha cresceu com muitos irmãos e eu nem sei quantos.
Noninha era operária. E travava altos debates com papai, comunista que só, quando se falava mal do Getúlio dentro de casa.
Noninha casou com o falecido Lili e eu nem sei o nome do meu bisavô. Mamãe também não sabia, já que quando perguntaram, ela disse que o nome dele era Falecido.
Noninha teve dois filhos com o falecido Lili.
Quando vó Leila, a mais nova, tinha 4 meses, falecido Lili morreu de um mal súbito que eu nem sei qual.
Noninha enviuvou aos 29 anos de idade, com 2 filhos pra criar.
Num domingo qualquer, quando caminhando na rua com as 2 crianças, foi abordada por um respeitoso senhor, já conhecedor da viuvez de Noninha, que a convidou para comer um franguinho.
Sem titubear, Noninha aprumou-se em seu metro e cinquenta e poucos de altura e respondeu ao nobre senhor: "Se eu quiser comer franguinho, eu compro franguinho. Pra mim e pras minhas crianças."
E nos seus 50 anos seguintes de vida contou a historia de honradez, de que pode, por 50 anos, andar na rua de cabeça erguida, sabendo que nunca precisou de homem nenhum pra comer franguinho.
E foi assim, mesmo sem saber muito da Noninha, que eu aprendi uma das lições de orgulho mais importantes da minha vida.
E eu soube, que quando eu também, encontrasse o homem da minha vida, não comeria franguinho com mais ninguém.
É história. E sangue. E caráter.
Por Nathalia Camara.
2 comentários:
hahaha é isso aí amiga, esse negócio de comer franguinho por aí com qq outro franguinho que não o amor da nossa vida não tá com nada mesmo... e viva a noninha!!!! =P
Muito certa sua Noninha. Só tem que tomar cuidado, porque não é porque você acha que achou o homem da sua vida que não tem um franguinho muito mais bem temperado esperando você. Tem que haver a certeza.
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